terça-feira, 28 de julho de 2015

FAÇA-SE EM MIM! FIAT ! CUMPRA-SE!

                                                    Virtudes e qualidades da Virgem Maria

A Virgem Maria foi saudada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça", o que é suficiente para deixar adivinhar o esplendor da sua perfeição ! Com efeito, Aquela que Deus tinha escolhido, desde toda a eternidade, para lhe propor tornar-se a mãe de Seu divino Filho, nosso Redentor, só podia ser dotada de toda a perfeição natural e sobrenatural e portanto de todas as virtudes correspondentes !
Foi por isso, por aplicação antecipada dos méritos da Redenção, que a Virgem Maria foi preservada do pecado original desde a sua concepção. Este privilégio - inaudito e único - foi querido por Deus, para Aquela em quem o seu Verbo deveria encarnar, "quando chegasse a hora da plenitude dos tempos". Maria nasceu pois com a perfeição de dons naturais de toda a ordem dados pelo Criador à sua criatura antes da queda de Adão.
A esses dons naturais, é preciso juntar também os dons da graça ! E como em Maria nenhuma fraqueza pessoal devida ao pecado original, nem nenhum pecado mesmo venial, vieram contrariar a recepção da graça de Deus, foi, por isso mesmo, em toda a sua plenitude que estes dons puderam resplandecer no seu corpo, na sua alma e no seu espírito, para a "cumular de graças".
"Cumulada de graças" mas livre,  Maria teve, como toda a criatura, de praticar as virtudes morais e teologais...
Mas nem por isso Maria se tornaria uma criatura menos livre, tal como o eram Adão e Eva no Paraíso, e o "Sim" que  ela deu a Gabriel, o mensageiro de Deus, na Anunciação, foi um "Sim" perfeitamente livre, escolhido e voluntário. Deus propôs e Maria poderia ter dito não... Ora ela disse "Sim", o sim de uma obediência absoluta ("que se faça em mim segundo a vossa palavra") no mesmo ponto em que Eva, pela sua desobediência, tinha provocado a queda do gênero humano... 
Assim, "cumulada de graças" mas livre,  Maria teve, como toda a criatura, de exercer as virtudes morais (quer dizer naturais) e as virtudes teologais (quer dizer sobrenaturais)(1), a fim de percorrer fielmente o caminho que Deus lhe tinha proposto e de perseverar, custasse o que custasse, na sua fidelidade, apesar das imensas provações que a conduziriam até à crucifixão do seu próprio Filho no Calvário...
Foi portanto sem dúvida por virtude pessoal, numa escolha livremente consentida, que Maria disse sim, até ao fim, à sua vocação. Nesse sentido, a Virgem Maria é um modelo a imitar por cada um de nós, que quer responder fielmente ao apelo que Deus nos faz. Pois há um plano de amor de Deus para cada um dos seus filhos... E Maria tem, melhor do que ninguém, a possibilidade de nos ajudar a responder "sim" a esse plano de amor do Pai...
 A fidelidade para nós é incondicional porque as condições adversas se tornam condições de prova de amor. Maria nos ensina a ser fiel desde a encarnação até aos pés da cruz ... A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência.  Santo Agostinho disse: "Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância".  E o grande São João da Cruz ensinava que: "A constância de ânimo, com paz e tranqüilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente."      Fidelidade essa palavra traduz a idéia de Perseverança, persistência, firmeza, constância, permanência.  
No entanto, Maria não cessou jamais de dizer fiat! O Evangelho nos mostra que lhe custou entender acontecimentos dolorosos e aparentemente absurdos (no Nascimento, p.exemplo.), e diz explicitamente que, quando Jesus se deixou ficar três dias no Templo, Maria e José não compreenderam o que ele lhes dissera (Lc 2, 50). Mas, com tudo isso, Maria não perdeu a fé nem a certeza da vocação. Nessas horas duras, o que fez foi aproximar-se ainda mais de Deus Pai com a oração, com o desejo de compreender melhor a sua Vontade. Meditou, orou, para assim poder renovar melhor o seu fiat, a sua fidelidade, a sua disposição de ser sempre aquela escrava do Senhor que deseja que, na sua vida, se realize apenas a sua palavra, ou seja, que Deus tenha a palavra e marque o rumo em tudo.   
Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração (cf. Lc 1, 19 e 2, 51).
A pessoa que vive da fé, acredita nele, crê na Providência e, quando aparece na vida a Cruz, a injustiça, o cansaço, a solidão, a incompreensão, a sensação de inutilidade e fracasso…, não desanima nem abandona o caminho, não renega a fé e sua palavra dada,  nem se recusa a continuar. 
Pelo contrário, imita Maria. E então descobre que cada fato, cada circunstância ou acontecimento, mesmo que seja incompreensível e escuro, acaba se tornando – para quem reza e luta por ser fiel – numa “noite transparente”, que, com a luz do Espírito Santo, permite ver mais longe, enxergar estrelas novas que lhe orientarão os novos trechos do caminho e que lhe darão sentido e alegria. 
Vê, em suma, melhor do que antes, o rosto de Cristo!

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