segunda-feira, 16 de maio de 2022

5ª Semana da Páscoa - Deus está em todos os corações?

  Evangelho do Dia: Testemunho de Jesus (Jo 5, 31-47) – Oratório São Luiz –  120 Anos
Leitura (Atos 14,5-18)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

14 5 Mas como se tivesse levantado um motim dos gentios e dos judeus, com os seus chefes, para os ultrajar e apedrejar,

6 ao saberem disso, fugiram para as cidades da Licaônia, Listra e Derbe e suas circunvizinhanças.

7 Ali pregaram o Evangelho.

8 Em Listra vivia um homem aleijado das pernas, coxo de nascença, que nunca tinha andado.

9 Sentado, ele ouvia Paulo pregar. Este, fixando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado,

10 disse em alta voz: “Levanta-te direito sobre os teus pés!” Ele deu um salto e pôs-se a andar.

11 Vendo a multidão o que Paulo fizera, levantou a voz, gritando em língua licaônica: “Deuses em figura de homens baixaram a nós!”

12 Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra.

13 Um sacerdote de Zeus Propóleos trouxe para as portas touros ornados de grinaldas, querendo, de acordo com todo o povo, sacrificar-lhos.

14 Mas os apóstolos Barnabé e Paulo, ao perceberem isso, rasgaram as suas vestes e saltaram no meio da multidão:

15 “Homens, clamavam eles, por que fazeis isso? Também nós somos homens, da mesma condição que vós, e pregamos justamente para que vos convertais das coisas vãs ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles há.

16 Ele permitiu nos tempos passados que todas as nações seguissem os seus caminhos.

17 Contudo, nunca deixou de dar testemunho de si mesmo, por seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os tempos férteis, concedendo abundante alimento e enchendo os vossos corações de alegria”.

18 Apesar dessas palavras, não foi sem dificuldade que contiveram a multidão de sacrificar a eles.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 113B/115

Não a nós, ó Senhor, não a nós,

ao vosso nome, porém, seja a glória.

Não a nós, ó Senhor, não a nós,

ao vosso nome, porém, seja a glória,

porque sois todo amor e verdade!

Por que há de dizer os pagãos:

“Onde está o seu Deus, onde está?”

É nos céus que está o nosso Deus,

ele faz tudo aquilo que quer.

São os deuses pagãos ouro e prata,

todos eles são obras humanas.

Abençoados sejais do Senhor,

do Senhor que criou céu e terra!

Os céus são os céus do Senhor,

mas a terra ele deu para os homens.

Evangelho (João 14,21-26)

Aleluia, aleluia, aleluia.

O Espírito Santo, o paráclito, haverá de lembrar-vos de tudo o que tenho falado, aleluia (Jo 14,26).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

14 21 Disse Jesus: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele”.

22 Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: “Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?”

23 Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada.

24 Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou.

25 Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.

26 Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.

Palavra da Salvação.

Reflexão

À pergunta de S. Judas Tadeus: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?”, responde Cristo com um dos pontos mais altos da doutrina evangélica e um dos maiores mistérios da graça: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. No que se devem notar duas coisas: a) primeiro, que de dois modos principais Deus se manifesta aos homens, uma comum e universal, outra própria e particular; b) segundo, que para manifestar-se Ele do último modo, precisa o homem cumprir uma condição. 

Manifesta-se Deus ao mundo, pois, de duas maneiras: a primeira é como Criador e Autor da ordem natural, e é neste sentido que dizemos que Ele está presente em todos os homens, sejam justos ou pecadores, quer dizer, enquanto está presente por essência, dando e conservando o ser a tudo quanto existe, e por poder, governando todas as criaturas; a segunda é como Autor da ordem sobrenatural e Amigo de quem o ama, e é neste sentido que dizemos que Ele está presente não em todos, mas em alguns homens, a saber: nos que se encontram em graça e, por isso, o têm presente em suas almas como pessoa amada por caridade. Para que se dê, no entanto, este último modo de presença, é necessário que o homem abandone os seus pecados: “Quem acolheu os meus mandamentos”, e se empenhe seriamente em os cumprir: “E os observa”, porque é impossível considerar como Amigo um Deus a quem não se deixa de ofender: “Esse me ama”. Quando pergunta Judas Tadeu por que Deus não se manifesta ao mundo, não se deve entendê-lo como se Deus fizesse uma injusta “acepção de pessoas”, condenando previamente uns a nunca o conhecerem, e privilegiando outros com sua cercania, mas no sentido de que, estando presente em todos como Criador, quer estar em todos também como Amigo, desde que não recusem voluntariamente a sua amizade: “Quem não me ama não guarda a minha palavra”. Eis por que dizem as Escrituras que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, isto é, o medo de o ofender e o zelo em o agradar são pré-condição para “sabê-lo”, pois é próprio dos amigos conhecerem os segredos um do outro e saborearem sua mútua presença: “Nós viremos e faremos nele a nossa morada”.

 

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